Desenhar desde que eu me conheço por "gente" era fazer casinha, montanhas, árvores, pássaros no céu e claro não podia faltar a presença do sol a brilhar e iluminar o cenário.Isto era na época em que quando acabávamos de copiar e fazer os exercícios da lousa e tínhamos que esperar os outros colegas terminarem também, a Professora falava para pegarmos o caderno de desenho, que era do tamanho de uma metade de uma folha A4, para fazermos um desenho livre.
Depois desta época, em que eu devia ter uns sete ou oito anos de idade, o exercício de desenhar, usar e gastar um pouco minha imaginação e criatividade parou de existir em minha vida escolar e pessoal.Vieram livros, cadernos,fichários,anotações, informações,provas e o tão temido vestibular.
Para não dizer que fiquei tanto tempo afastada do exercício de desenhar, quando estava cursando o ensino Médio, que era técnico em Publicidade, tínhamos a disciplina de desenho voltada para a criação de peças publicitárias.Mas, como tudo que não se usa perde sua eficiência ou enferruja,confesso que minha criatividade e habilidade para coisa estava abalada após vários anos de desuso e sufocamento escolar.
Foi recentemente quando voltei a estudar, depois de ter cursado Pedagogia, que descobri e reconheci meu interesse na área de Artes.Então , iniciei um curso de Artes Visuais em que cursei por um semestre e tive entre as disciplinas,desenho de observação de objetos.Foi uma redescoberta do meu olhar para as coisas ao meu redor.Pude perceber melhor e com mais atenção os lugares, as coisas e as pessoas,sem aquela pressa e cegueira corriqueiras em que estava habituada a viver e conviver.
Desenhar para mim é um exercício de paciência,treino para conter minha ansiedade do e...depois, do vir a ser, de contemplação, de admiração e por que não uma forma de meditar.É o momento em que só existe eu e o objeto observado.
Atualmente no curso de Linguagens da Arte, tem a disciplina História da Arte e a experiência do artista.É engraçado relembrar a primeira aula prática que tive em que um moço afro descendente ficou nu em pêlo na nossa frente.Não que eu não tenha visto um homem pelado antes, mas a situação inesperada e diante da reação de quase todos nós, de surpresa, foi quase impossível de conter minha vontade de rir.Foi difícil me concentrar no início do exercício.Não sabia para onde olhar, ou melhor, no que focar e o que registrar.A única coisa que sei é que meu desenho saiu tremido.
Agora depois de vários exercícios de observação de pessoas, o nu já não é tão chocante.É muito bom poder ver as pessoas sem os retoques do Photoshop, seres humanos que estão naturalmente despidos e retratados de forma séria e natural.Ou seja, um exercício de apreciação da nossa natureza e condição humana.
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